O simbolismo do Natal escrito por JHS fundador da Sociedade Brasileira de Eubiose

Um dos mais belos e significativos acontecimentos do ano, é o Natal. O mundo cristão comemora no dia 25 do mês de dezembro, o nascimento de Jesus Cristo, Aquele que os cristãos consideram o Salvador, e que os verdadeiros Teósofos e Ocultistas reconhecem, com o sentido mais profundo, “a manifestação cíclica do Espírito de Verdade,” ou seja, como um SER, Divino. Nessa data, plena de encantamento e de amor, as famílias cristãs se congregam em reuniões as mais íntimas e fraternas, para cultuarem no recesso de seus lares o simbolismo do Natal.

Na noite de 24 para 25 de dezembro, conhecida há perto de vinte séculos como a Noite de Natal, comemora-se em todo o mundo cristão o nascimento do Menino-Deus, com as manifestações do maior regozijo e da mais pura devoção. Papai Noel faz nessa noite sua visita tradicional as crianças, deixando-lhes uma lembrança no sapatinho posto à beira da cama. Nos muitos lares, são confeccionados enfeites multicores, há o Presépio e a Árvore de Natal. Desse modo, ano após ano, de uma forma inconsciente e agradável, é transmitida, de geração a geração, uma tradição extraordinariamente bela, cuja origem se perde na noite dos tempos, anterior mesmo ao advento do Cristianismo.

O simbolismo do Natal oculta transcendentes mistérios. A luz dos conhecimentos teosóficos, procuraremos levantar uma pontinha do denso véu que encobre, aos olhos dos leigos, tais grandezas sobre o conhecimento antigo e oculto como os existentes sobre a Proporção Áurea, Geometria e os simbolos sagrados presentes construidos com a matemática divivina.

Diz a tradição que o Anjo Gabriel apareceu à Virgem Maria e lhe anunciou o nascimento do Filho de Deus.

As religiões de todos os povos possuem as suas Virgens-Mães, Marias ou Mayas, que são: Adha-nari, a brâmane; Ísis, a egípcia; Astaroth, a hebraica; Astarté, a síria; Afrodite, a grega; Vesta, a romana; Herta, dos germanos; Ina, da Oceania; Isa, a japonesa; Ching-Mu, a chinesa, e muitas outras, inclusive a que o nosso tupi denomina de Jaci, “a mãe dos frutos”, etc., pois, como é sabido, Maria provém de Mare – o Mar – simbolicamente, “a grande visão”. Entre os iorubanos da África, Iemanjá, o orixá feminino, é a mãe d’água ou o próprio mar divinizado, equivalente, no seu culto, àquilo que em tais religiões simboliza a Virgem Mãe, Ísis, a Lua, desde que Osíris representa o Sol.

Os egípcios acreditavam que o pequeno Hórus era filho de Osíres e de Oset, cujas almas se transformaram respectivamente nas do Sol e da Lua, como o ouro e a prata na fabricação do Anel Atlante Original, depois da morte desses personagens.

Os antigos israelitas, muito antes da nossa Era, chamavam a rainha do céu (ou “Regina Coeli”) de Mênia, donde se derivou Neomênia (Nova Lua), que vem a ser a mesma Maria (em seus diversos nomes); mãe de Deus encarnado, nos vários cultos religiosos.

Quanto ao lugar do nascimento do Menino Jesus, diz a Igreja que ele se deu em Belém, cidade da Palestina, tendo sido a criança recém nascida colocada numa manjedoura. A palavra Belém é formada de duas letras hebraicas, Beth e Aleph, significando cabalisticamente a Casa de Deus ou Templo de Deus. Esta é também a significação da palavra Apta, muitíssimo mais antiga, pois provém da Atlântida, tendo sido o nome de sua oitava cidade, a Shamballah ou “Região dos Deuses”, que mantinha a espiritualidade entre as demais cidades, que se podem interpretar também como províncias ou países, governadas pelos “Sete Reis do Edom”, Reis que eram na Terra as expressões humanas dos Sete Dhyans-Choans. Seria supérfluo assinalar a identidade de sentido entre Edom e Éden, o bíblico Paraíso terrestre. APTA tem ainda o significado de “creche”, manjedoura, presépio e também de “O lugar onde nasce o Sol”.

O simbolismo do presépio é uma cópia fiel do que existe nos ritos bramânicos, além de outros. Segundo Bournouf, assim se explica sua origem: A cruz Suástica (não confundir com a Sovástica do Nazismo, que tem a rotação em sentido contrário, símbolo portanto da involução), é representada por dois pedaços de madeira que, para não se moverem, são cravados com quatro pregos, e na junção dos braços da cruz passa uma corda que, pela fricção, produz fogo. O Pai do Fogo Sagrado é o divino carpinteiro Tuashtri, que prepara a cruz e o pramanta que deve gerar o filho divino. A Mãe do Fogo Sagrado é Mayá, que equivale à Virgem Maria cristã.

Quando o pequeno Agni nasce (Agni é fogo em sânscrito; Agnus, em latim, é o Cordeiro. “Agnus Dei qui tollis peccata mundi”…) – é colocado num berço (manjedoura) entre animais, e ao lado fica a Vaca mugidora. Ora, Vach (o mesmo que vaca), em sânscrito significa o Verbo Sagrado, Palavra Criadora ou Logos Criador.

Procuremos agora relacionar esses fatos narrados pelo sanscritista Bournouf com aquela conhecida passagem bíblica: “No principio era o Verbo, e o Verbo se fez carne e habitou entre nós…”.

O sacerdote brâmane toma o pequeno Agni em suas mãos, coloca-o sobre um altar, untando-lhe o corpinho com manteiga clarificada, do que se originou a sagrada unção pelos santos óleos adotada pela Igreja nos batismos. É justamente quando o menino Agni recebe o nome de Ungido (Iluminado), Akta em sânscrito, e Christos, em grego. Torna-se ele resplandecente, pois que tudo em seu redor se ilumina. As trevas desaparecem, os demônios fogem amedrontados ao clarão de sua luz cintilante.

Ele é o Guru dos gurus (ou Maha-Guru, Grande Instrutor, etc.) o Mestre dos mestres, Aquele em quem a Sabedoria é inata. Como se vê, a tradição da Sagrada Família, aqui no Ocidente representada por Jesus, Maria e José (o carpinteiro), se encontra nos Vedas, a escritura sagrada dos hindus, com uma antiguidade de 3.100 anos anterior à nossa Era.

A mãe de Krishna, que surgiu na índia cerca de 3.500 anos A.C., se chamava Devaki, era uma linda e virtuosa princesa, irmã do Rei de Madura, em torno da qual se criaram as mesmas lendas relativas a outras Virgens-Mães ou Marias. O curioso também assinalar a estranha semelhança de grafia e de som entre a expressão latina Jesus Christus e Ieseus Krishna…

Escreve H. P. Blavatsky, em sua Doutrina Secreta: “Desde os rishis indianos até Virgílio, e de Zoroastro à última sibila, todos, sem exceção, desde o começo da quinta raça-mãe, profetizaram, cantaram e prometeram a volta cíclica da Virgem e o nascimento de uma criança divina, que faria voltar a “Satya Yuga”, a idade de ouro sobre a Terra.

Logo que as práticas da Lei estiverem na ocasião precisa de terminar o ciclo da “Kali Yuga” (idade negra, em que ainda vivemos), Um Aspecto do Ser Divino, que existe, em virtude de sua própria natureza espiritual, na pessoa de Brahmã, e que é o Começo e o Fim (Alfa e Ômega ), descerá sobre a Terra. Ele nascerá na Família de Vishnujasha, como um Eminente Filho de Shamballah e Senhor dos oito poderes do Iogui. Por seu imenso poder, destruirá Ele todos aqueles cujo mental é votado à iniquidade. Então a Justiça se fará na Terra, e os que viverem até o fim da “Kali Yuga”, despertarão com o mental transparente e puro como o cristal”.

Nenhum Ser de tão elevada expressão como Jesus, nasceu jamais num estábulo…

Pelo contrário, em todas as teogonias, o nascimento de Seres iluminados se verifica sempre no seio de famílias nobres, abastadas, de sangue real. Gautama, o Buda, era o Príncipe Sidarta, de Kapilavastu; abandonou riquezas, palácios, títulos e bens terrenos para conviver com os humildes da plebe, viajando como um nômade, ensinando as verdades do espírito para plantar a semente da salvação sobre seus passos e criou gerações de discípulos cujas luzes iluminam os séculos dos povos orientais. Seu nascimento foi marcado pelos mesmos mistérios que envolvem o de todos os Seres da Divina Hierarquia. Um deva de luz ou anjo o anunciou à sua mãe, que, antes de concebê-lo, teve a visão de um elefante branco ostentando o Loto das Mil Pétalas, como símbolo da Centelha Divina manifestada na Terra.

Os grandes iluminados nunca nasceram de pais indigentes, muito menos em um Cocho ou manjedoura. Se assim fosse, menores teriam sido seus sacrifícios e renúncias em favor da humanidade. Não poderiam sentir em todos os seus horrores as agruras da miséria dos homens se nela tivessem nascido. Jesus, o Cristo, cujo nome original era Jeoshua Ben Pandira (O Filho de Deus, melhor que “o filho do homem”), não nasceu nas paupérrimas circunstâncias descritas pela tradição exotérica, por isso que era um Ser proveniente de Salém, a Cidade Luz das escrituras hebraicas, que é a mesma misteriosa SHAMBALLAH das tradições orientais, “a ilha imperecível que nenhum cataclismo jamais poderá destruir”.

Segundo a lenda cristã, quando Jesus nasceu foi visitado por três Reis Magos do Oriente. Qual a verdade que se oculta nessa lenda? Eis a nossa resposta: os Três Reis Magos representam os Três Chefes do Governo Oculto do Mundo (sob o ponto de vista de Governo Espiritual). Representavam e representam os Três Chefes ou Triunvirato governador da AGARTHA, que são: o Chefe Supremo que possui o título de Brahâtmâ ou Brahmâtmâ (apoio das almas no Espírito de Deus) e seus Dois Assessores ou Colunas: o Mahâtmâ, respresentando a Alma Universal, e o Mahanga, símbolo de toda a organização material do Cosmos. Segundo Ossendowski, o Mahâtmâ conhece todos os acontecimentos futuros e o Mahanga dirige as causas desses mesmos acontecimentos; quanto ao Brahâtmã, pode falar com Deus face a face.

O Mahanga oferece ouro ao Menino-Deus, e o saúda como Rei; o Mahâtmâ oferece-lhe incenso e o saúda como Sacerdote; enfim, o Brahâtmâ oferece-Lhe mirra (o bálsamo da incorruptibilidade, imagem de Amritâ ), e Lhe dá as boas vindas como Profeta, o Mestre espiritual por excelência. Dêsse modo, o Cristo recém-nascido é homenageado nos Três Mundos, como sendo seus próprios domínios. Maitréia significa, igualmente, o Senhor das Três Mayas, ou dos Três Mundos..

Na tragédia do Gólgota, diz a tradição vulgar, a cruz de Jesus é ladeada pelas de dois “ladrões”. Na Maçonaria o grão-mestre é ladeado por duas “colunas”, J. e B., iniciais de Jakim e Bohaz, que coincidem, significativamente, com outras da biografia daquele Iluminado: Jeoshua Ben Pandira, os nomes das cidades onde nasceu e expirou, Belém e Jerusalém, o nome de João Batista, seu Arauto ou Iocanã que o batizou no Rio Jordão, no momento em que sobre Ele desceu o fogo do Espirito Santo simbolizado na pomba imaculada.

Todos os grandes seres, antes de consignarem sua presença entre os homens através do ventre de uma mulher “eleita”, são anunciados por outros seres também de grande excelsitude, que são os Iocanãs. Este vocábulo pode ser decomposto em Io, com o significado de “o grande principio universal feminino” (Ísis, Maya, Lua etc.), e Canã ou Canaã, a terra da promissão. Na melhor interpretação, Iokanã é aquele que conduz, anuncia alguém, pelo Itinerário de Io ou de Ísis, o Caminho Real por onde deve passar um novo clã, família, raça. Caminho de Io ou de Ísis é o caminho percorrido pelas Mônadas.

O dá ainda a figura aritmética dez, podendo ser relacionado com a décima lâmina do Taro divinatório dos boêmios, que simboliza a Roda da Fortuna, a roda dos nascimentos e das mortes, nos três mundos. Quem faz girar essa Roda é o Divino Rotan, o Chakravarti, o mesmo Senhor dos Três Mundos.

Duplicando-se o monossílabo IO, temos IOIO, que pode também significar mil e dez; substituindo-se a segunda e quarta vogal por S, tem-se ÍSIS, e permutando-se a posição dos dois últimos algarismos (01) forma-se o mil e um que faz lembrar as Mil e Uma Noites dos maravilhosos contos iniciáticos, nos quais se encerram profundos mistérios ligados ao longo e sinuoso Itinerário de IO ou de ISIS. Tais mistérios, na sua totalidade, são conhecidos apenas pelo Supremo Arquiteto como Logos Criador, do qual se têm emanado ciclicamente os Avataras Divinos, que vem com a Sua palavra (a Boa Nova de cada ciclo) impulsionar as mônadas (para tanto “julgadas” aptas) pelo extensíssimo IO.

Assim foi com Krishna, Buda e Cristo e com todos os outros Iluminados que têm vindo a este mundo inferior. E há de ser assim em futuro próximo, isto é, no começo do século XXI, como vem sendo anunciado pela Sociedade Teosófica Brasileira desde sua fundação por J. H. S. – com a Nova Manifestação cíclica do Grande Senhor, o MAITRÉIA

BUDA. Este Glorioso Ser, o Kalki Avatara das tradições multimilenares, é também denominado o Cavaleiro Akdorge, que virá esmagar o dragão do Mal que ameaça devorar a Bela Princesa acorrentada à porta do palácio, que outra não é senão a própria humanidade encarcerada nas trevas das superstições e da ignorância, mãe dos erros de toda espécie.

Maitréia, o Senhor dos Três Mundos, ou das Três Mayas, cavalgando seu corcel branco, simboliza o Ternário Superior do Espírito, dominando e dirigindo o Quaternário inferior da persona, e pessoa do homem físico, ou seja, o veículo denso através do qual o Som, o Verbo se expressa…

Quanto ao Papai Noel, este bom velhinho de longas barbas de neve, carregando às costas um grande saco de brinquedos e presentes para alegrar os corações de crianças e adultos no dia 25 de dezembro; quem é Ele? quem inventou essa personalidade tão generosa quanto pontual no cumprimento do seu dever de renovar anualmente as esperanças da humanidade?

Quem diz todos os anos, diz “ciclicamente”. Podemos, pois, vislumbrar nessa maravilhosa personalidade natalina o Pai Onipotente, de infinita bondade, que se manifesta de ciclo em ciclo para premiar os homens que se mantiveram fiéis ao Espírito de Verdade, presenteando-os com a Boa Nova, isto é, com novos conhecimentos que propulsionam o progresso das mônadas, através de mais uma etapa no longo “Itinerário de IO”.

Substituir o tradicional Papai Noel, ou Saint Klaus, por um “Pai João” ou. Por qualquer figura esdrúxula do nosso folclore, como querem alguns, melhor seria que o fosse por um Anjo ou Deva luminoso, como os que vieram anunciar as Mães Divinas a concepção dos Grandes Iluminados.

E a Árvore do Natal, essa dadivosa planta que nos oferece no fim de cada ano brilhantes frutos simbolizados nas bolas de ouro, de turquesa, esmeralda e rubi? Ela exprime a árvore Sefirotal, representa a Arvore dos Avataras, sendo o seu tronco o Bija ou Semente de todos Eles, a Arvore da Vida plantada no Quaternário da Terra, que floresce e produz maravilhosos frutos de ciclo em ciclo. Ela. nos diz também da Arvore de Bodhi, ou da Sabedoria divina, cujos vários ramos com seus frutos multicores estão a significar os diversos aspectos e as múltiplas expressões da Verdade Única, da Eterna Verdade apregoada aos homens pelos Avataras cíclicos.